Um fomento à tradição em defesa da floresta

POR QUE ESCOLHEMOS O MÉDIO XINGU?

No coração da Floresta Amazônica, na região do médio curso do Rio Xingu, há uma vida pulsante e sagrada, que mantém ao longo do tempo uma relação de equilíbrio e respeito com a natureza.

Porém, o Médio Xingu enfrenta desafios significativos. A expansão da atividade agrícola e a exploração desenfreada da floresta que ameaçam o equilíbrio delicado da floresta. O território é uma forte referência da diversidade socioambiental da Amazônia, com um dos mais extensos conjuntos de áreas protegidas interligadas do mundo e abrigando diversos povos com culturas e línguas diferentes.

O chamado pela ação imediata para a preservação da floresta é urgente. Passou da hora de agir para proteger e preservar esse lugar estratégico para as gerações futuras. É nesse sentido que nasce o Projeto Redes do Médio Xingu, para apoiar a geração de renda de famílias locais e a conservação da floresta amazônica, entendendo que não há um sem o outro.

PROJETO REDES DO MÉDIO XINGU

No estado do Pará, serpenteando paisagens exuberantes do Rio Xingu, populações ribeirinhas das regiões de Altamira, Uruará e São Félix do Xingu se organizam pela garantia da floresta em pé, utilizando seu conhecimento para o sustento e preservação da terra.

O projeto Redes do Médio Xingu nasce em 2022, com um objetivo de ajudar na conservação do meio ambiente e a geração de renda de pessoas que vivem em áreas protegidas desses locais. A iniciativa, desenvolvida pela Synergia Socioambiental, atua em três frentes:

Em Uruará, agricultores e agricultoras familiares de assentamentos rurais que integram a AASFLOR realizam coleta de sementes e iniciaram o processo de extração de óleo destas sementes da floresta. Isso a partir da criação de uma miniusina para facilitar o processo e, com o tempo, a aprendizagem de produção de sabonetes, pomadas e óleos hidratantes, entre outros produtos.

O Projeto Redes do Médio Xingu ajudou no desenvolvimento da marca, dos rótulos, das embalagens e na viabilização da venda dos produtos em feiras e eventos espalhados pelo Brasil, como a Feira Naturaltech, realizada em julho de 2023, na cidade de São Paulo.

Em agosto de 2023, para atender à crescente demanda pelos produtos da AASFLOR, o Projeto Redes do Médio Xingu contribuiu com o planejamento estratégico na área de vendas e organização interna da associação, ajudando a traçar metas de produção e comércio dos produtos para os próximos meses.

Famílias da Estação Ecológica da Terra do Meio (ESEC) iniciaram o cultivo do cacau, que tem sua colheita durante todo o ano, com pico em maio e junho, o que permite uma maior geração de renda para a população.

Em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Projeto Redes do Médio Xingu trabalha com essas famílias prestando assistência técnica e extensão rural, apoio à governança do arranjo produtivo local e fortalecimento do acesso a mercados.

Por muitos anos, as famílias da ESEC Terra do Meio se deslocavam para outras regiões com o objetivo de comprar comida e outros itens de necessidade, mas isso tem um alto custo de frete e gasolina. Em conversas com o Projeto Redes do Médio Xingu, as famílias apontaram a importância de uma cantina comunitária.

Para contribuir na solução desse problema, o Redes do Médio Xingu investiu na construção de uma nova cantina, além de apoio na manutenção da estrutura comercial e nos acordos para venda dos produtos à população local. O Projeto Redes do Médio Xingu também contribuiu no armazenamento da castanha e do cacau cultivados, com a elaboração de um paiol em parceria com o ICMBio. Esse equipamento facilita o processo de escoamento das duas culturas.

ONDE ATUAMOS

Associação Agroextrativista Sementes da Floresta (AASFLOR)

A Associação Agroextrativista Sementes da Floresta (AASFLOR) nasce em 2011, fruto da organização e engajamento de agricultores familiares de assentamentos da reforma agrária do Médio Xingu, e da mobilização da Irmã Ângela, freira que teve papel fundamental na germinação da AASFLOR. Desde então, a AASFLOR alcançou grandes conquistas, estruturando uma cadeia produtiva baseada no extrativismo e no beneficiamento sustentável de produtos florestais não madeireiros.

Atualmente, a iniciativa concentra suas atividades na coleta de sementes florestais, destinadas para a rede de sementes do Xingu – que promove ações de restauração florestal – e para a extração de óleos vegetais em pequenas usinas operadas pelos associados. Destes óleos, elaboram os produtos de sua linha de cuidados pessoais e alimentícios. Do Babaçu extraem o óleo das amêndoas e a farinha do mesocarpo. Da Castanha-do-Pará, produzem farinha, óleo e promovem a venda in natura para a Rede Terra do Meio.

A AASFLOR integra a Rede Terra do Meio, que articula as comunidades e viabiliza as cadeias da sociobiodiversidade na região.

Cadeia produtiva do cacau na Estação Ecológica Terra do Meio

Com base em saberes tradicionais e arranjos produtivos, famílias cultivam cacau em sistemas agroflorestais com base em técnicas agrícolas na Estação Ecológica Terra do Meio, que circunda a bacia do rio Iriri. Além do cacau, acontece o plantio de espécies, como copaíba e andiroba, que promovem sombra ao cacau e maior circulação da fauna local.

Somente essas famílias que habitam a região, e atuam como protetores da floresta, são capazes de reproduzir os modos de vida que acolhem saberes e conhecimentos necessários para o futuro da gestão deste ambiente. A forma como se desenvolveram, no ponto de vista socioeconômico, reverbera na região como exemplo, como prática possível a inspirar outras pessoas.

Cantina na Estação Ecológica Terra do Meio

O processo de organização de povos ribeirinhos e indígenas da Terra do Meio passa pela estruturação de um sistema de comercialização de produtos, consequência do difícil acesso e altos custos de transporte. Esse isolamento geográfico fez com que comunidades ribeirinhas e indígenas da Terra do Meio se organizassem em uma rede de cantinas, espalhadas em um território com milhões de hectares. Foi assim que encontraram uma solução para a comercialização de seus diferentes produtos tradicionais da floresta em contratos mais justos, estabelecidos de forma transparente e coletiva.

Para promover o acesso dessas famílias aos produtos alimentícios e de necessidade básica, foi apontada a importância de uma cantina comunitária. Como forma de apoiar essa frente, o Projeto Redes do Médio Xingu investiu na construção de uma nova cantina, no apoio com a manutenção da estrutura e nos acordos para venda dos produtos à população local.

Apoio à Rede Terra do Meio

A Synergia apoio a estrutura de comercialização de produtos do extrativismo realizada por meio da articulação regional rede terra do meio, por meio da contratação de uma profissional dedicada exclusivamente à área comercial da referida rede.

RESULTADOS

Os frutos colhidos graças ao projeto.

Em 2023, a AASFLOR participou da Naturaltech, maior feira de produtos naturais de toda a América Latina. Além da venda e da visibilidade para os seus produtos, foram firmadas parcerias importantes para a Associação, que garantem a ampliação da produção e do faturamento de produtos para atingir um mercado maior.

Além do estreitamento de relações entre a Associação e outras organizações, foi firmada a parceria com 3 institutos que têm como proposta a economia solidária, o acolhimento de produtores/as de agricultura familiar, de produções naturais e de cooperativas: os Institutos Chão e Baru, além do Armazém do Campo.

Esses institutos adquiriram os produtos da AASFLOR e irão disponibilizá-los para o público, favorecendo o reconhecimento da marca em São Paulo e criando possibilidade de novas vendas no futuro da Associação.

Apoio à apicultura

A Synergia continuou com o suporte à AASFLOR, pelo projeto Redes do Médio Xingu, ao realizar uma oficina de apicultura, no último trimestre de 2023, direcionada a agricultores familiares de três assentamentos na zona rural de Uruará, no Pará. A oficina teve como objetivo capacitar os participantes na prática, que tem grande potencial de geração de renda e benefícios ambientais devido à importância das abelhas como polinizadoras.

O curso, ministrado por Yuri Rafael, técnico da Synergia, iniciou com uma abordagem teórica, traçando um histórico das abelhas no Brasil, seus produtos, características anatômicas e comportamento. Em seguida, os participantes aprenderam a identificar e capturar enxames, montando o primeiro apiário da AASFLOR.

A atividade envolveu um grupo diversificado de participantes, incluindo três mulheres, oito jovens filhos de agroextrativistas e quatro homens adultos. Ficou evidente que a apicultura se alinha de perto com as práticas diárias dos agroextrativistas, que já mantêm relações com as abelhas em suas atividades agrícolas e florestais. O apiário instalado serve não apenas como um ponto de orientação para outras famílias, mas também como um local para multiplicação de enxames, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região.

Produzido em escala familiar, em sistemas agroflorestais biodiversos e de baixo carbono, dentro do regramento normativo do órgão gestor da unidade, o cacau gera uma cadeia de valor que articula geração de renda com a proteção da floresta, permitindo a melhoria das condições de vida de comunidades tradicionais que historicamente atuam como verdadeiros guardiões da floresta.

O resultado foi excelente na última colheita do cacau na Estação Ecológica Terra Do Meio, sendo que 100% da produção passou pelo processo de fermentação com um grau de secagem satisfatório, com baixo índice umidade no momento da venda. São cerca de 3,2 toneladas escoadas nesta safra, cifra que só tende a crescer.

NOSSA PRESENÇA NA IMPRENSA

Veja o que saiu na imprensa sobre o projeto Redes do Médio Xingu.

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A floresta que você não vê – Narrativas do Médio Xingu

Duração: 27 min
Lançamento: Agosto de 2023
Gênero: Documentário

O documentário “A floresta que você não vê – Narrativas do Médio Xingu” enlaça as histórias de luta e resistência de pessoas que enfrentam desafios para gerar renda e manter a floresta amazônica em pé.

Essas pessoas se sentem parte da floresta. Vivem na região do Médio Xingu, essa importante área da Amazônia brasileira que enfrenta grande pressão de desmatamento em função do garimpo, da extração de madeira, da pecuária e da monocultura. Defendem modos de vida que, adaptados às novas realidades, abrigam saberes e conhecimentos preciosos para o cuidado com a floresta, aliado ao desenvolvimento da bioeconomia.

O documentário recebeu o título de semifinalista no Angeles Documentaries, na categoria de curtas documentais, e foi selecionado para concorrer ao Lisboa Indie Film Festival. 

A estreia nacional aconteceu no dia 05 de setembro, Dia da Amazônia.

Direção
Andy Costa

Diretor de Fotografia
Thiago Borazanian

Edição, colorização e sound design
Célio Roberto

Produção Executiva
Adriana Barros, Ana Cristine Veneziani, Andy Costa, Cássio Falcón

Produção
Alexandre Pessôa, Andy Costa, Cássio Falcón, Eliane Dal Colleto, Mario Braga Vasconcellos

Prêmios

Prêmios

Semifinalista

Semifinalista

Seleção oficial

Seleção oficial

AGENDA DE EXIBIÇÕES

Mostra Ecofalante Pará
Quando: 24 de outubro, às 17h30
Onde: Cine Líbero Luxardo – Avenida Gentil Bitencourt, 650 – Nazaré, Belém – PA

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MATERIAL DE APOIO AO FILME

A Synergia Socioambiental disponibiliza esse material de apoio, desenvolvido por nosso Núcleo de Educação Socioambiental, a todos educadores que desejam criar um conteúdo educacional dinâmico e imersivo sobre os temas da Floresta Amazônica, como a conservação do meio ambiente, a ocupação do território amazônico, os modos de vida e da cultura ribeirinha, a bioeconomia, a cadeia produtiva do cacau, o cooperativismo e as mudanças climáticas.

Opiniões sobre o documentário

“Importantíssimo para que o mundo veja que vozes e sonhos ecoam de dentro da floresta.”

“Uma narrativa importante de uma população atuante e integrada ao meio em vivem, trabalham e promovem a sustentabilidade.”

“Impactada pela potência e beleza do documentário. A forma que foi construída a parceira com as comunidades, os depoimentos e força das pessoas deste lugar, assim como os desafios sociais nos fazem pensar sobre nosso papel nos processos de transformação.”

“Sensacional, muito importante trazer essa visão para todos. Principalmente para nós, que não temos a vivência do norte do país.  Esse documentário traz uma enorme riqueza de possibilidades a novos olhares ao povo ribeirinho. Importante sabermos que o Brasil ainda é desigual e precisamos lutar por isso e ajudá-los.”

“Necessário. Urgente. Pois são os guardiões  da nossa floresta. Necessitam ser vistos e acolhidos por tudo que representam.”

Receba o link das próximas exibições do documentário por e-mail!

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    CONTRIBUA COM O PROJETO

    No tecido da sociedade, as tradições dão forma à cultura e identidade de um povo. São heranças do passado, ensinamentos transmitidos ao longo de gerações. Preservar e honrar essas tradições é mais do que uma escolha; é uma necessidade para compreendermos nossa história coletiva e nossa identidade como nação.

    Há várias formas de contribuir para que isso aconteça.

    • Divulgando o documentário A floresta que você não vê – narrativas do Médio Xingu para sua rede de contatos, em suas redes sociais, ampliando assim o conhecimento sobre o trabalho dessas pessoas
    • Consumindo e valorizando os produtos produzidos com o Cacau da Terra do Meio e os produtos da AASFLOR
    • Apoiando financeiramente o Projeto Redes do Médio Xingu para dar continuidade ao suporte para a AASFLOR e para os produtores e produtoras de cacau
    • Replicando o modelo desenvolvido pela Synergia em outros territórios, onde o saber local de um povo pode ser valorizado e caminhar ao lado da sustentabilidade e da geração de renda

    Fale conosco: contato@synergiaconsultoria.com.br

    SYNERGIA SOCIOAMBIENTAL

    A Synergia Socioambiental é uma consultoria, fundada em 2005 por uma mulher nordestina, empreendedora e com o sonho de contribuir para a transformação dos territórios onde atua. A empresa reúne pessoas apaixonadas que acreditam que a soma de seus esforços em ações sociais, ambientais e culturais é capaz de gerar grandes revoluções.

    Com mais de 18 anos de atuação, a consultoria está entre as líderes do mercado, desenvolvendo projetos para os setores público e privado, oferecendo soluções em gestão e prevenção de crises, desenvolvimento social, relações territoriais e gestão de conhecimento, em todo o território nacional, especialmente na Amazônia.